Na mitologia grega, “Chronos” ou “Khronos” era considerado o deus do tempo; em latim “Chronus” era a personificação do tempo. Também era habitual chamar-lhe “Eón” ou “Aión”
Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairos. Enquanto chronos refere-se ao tempo cronológico ou sequencial, que pode ser medido, kairos refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece.
Por sua vez, os romanos chamaram-lhe Saturno e por isso, o planeta que atualmente é conhecido com este nome, foi outrora chamado "Khronos" pelos astrônomos gregos. Era a divindade celeste mais distante, considerada como sendo o sétimo dos sete objetos divinos visíveis a olho nu. Uma vez que tem a maior translação observável no céu (cerca de 30 anos), os astrônomos gregos e romanos julgaram tratar-se do guardião dos tempos, ou "Pai do Tempo", uma vez que não havia conhecimento de nenhum outro objeto com maior período repetitivo (translação). Foi precisamente esta característica astronômica que levou os eruditos das artes a representar a sua figura como um homem de idade com longos cabelos e barbas brancas, tal como mencionado acima. Daí veio também a palavra crônica seguida de Chronos.
No que se relaciona ao ser humano, podemos dizer que, além do tempo cronológico, mensurado através de segundos, minutos, horas e calendário, existe o tempo “psicológico”, interno, próprio de cada um, segundo sua individualidade; aquele em que, conforme o que estamos experienciando, “parece” que ele se intensifica (como um fosse uma eternidade) ou se acelera (tão célere como se voasse...). Exemplos típicos são os momentos de profunda dor ou alegria. É a sensação que sentimos que nos provoca essa dimensionalidade do tempo.
Há também a influência da nossa postura, do nosso comportamento diante desse “deus”; nem sempre o tempo cronológico é compatível com o amadurecimento que lhe deveria ser proporcional; ou seja, à medida que nos adentramos no tempo cronológico, também caberia um desenvolvimento emocional, psicológico, mental, espiritual o amadurecimento.
Seria cabível um tratado sobre esse fenômeno que nos acompanha desde e até o “sempre”! Que nossa memória atual se recorde, a partir da nossa corporificação neste planeta, ele já está sendo nosso eterno companheiro e assim permanecerá até... a eternidade. Porém, nesta reflexão, o que mais nos desperta a atenção é a importância que lhe dedicamos.
Visto que a maior e mais importante característica do TEMPO, quer seja seqüencial, “ilusão” (como considerado por algumas seitas e/ou escolas esotéricas), psicológico ou indeterminado, é a sua IRRECUPERABILIDADE. Sua presença é no aqui-e-agora, no exato momento, sem nenhuma possibilidade de retroagir ou antecipar-se. Apenas “é”...! Por conseguinte, se podemos recuperar amizade, saúde, bens materiais e tantas outras coisas que tanto valorizamos, por que o que é totalmente irrecuperável, impossível de termos em outro momento, ainda é subestimado, desperdiçado, desrespeitado?!
O que leva tantas pessoas a deixar de lhe atribuir o valor justo e imprescindível? Quando esses seres determinam conscientemente um horário, uma data uma parte preciosa e irrecuperável da sua própria vida por que não as cumpre? E, mais inconcebível ainda, quando envolvem outros seres, consequentemente lhes incluindo no tempo e suas características (irrecuperabilidade e preciosidade), por que infringem essa responsabilidade? Não está presente, então, a consciência de que estão infestando outros campos além dos próprios? É a isso que consideram respeito ao próximo, pessoal e profissional, e aos seus direitos e deveres?! Essa é a forma como manifestam a estima pelas criaturas que fazem parte da sua vida?
Sinceramente, não consigo entender nem compreender e sinto profunda dificuldade em lidar com tais procedimentos. Como disse o sábio Manuel Bandeira: “... cada instante de vida nunca é mais, é sempre menos...!”
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
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