COMPROMISSO
Recentemente fiquei profundamente admirada (para não dizer indignada! quando, defendendo meus valores sobre responsabilidade, compromisso, comprometimento, presença (inteireza do ser no aqui-e-agora), minha colega disse-me que “isso” era inflexibilidade, rigidez... sinceramente, será que os princípios morais estão tão absurdamente distorcidos? Desde quando cumprir com os deveres é rigidez? Claro que, naturalmente, em alguns momentos, podemos não abnegar do que assumimos, mesmo que isso possa ser em detrimento de arcar com outros... entretanto, confundir “deixar fluir”, acreditar no Universo, solicitar sua colaboração, não se “pré-ocupar” é uma atitude saudável.
Consideremos, contudo, que o “deixar fluir”, confiar no Divino, evitar o estresse, especialmente o antecipado, ter uma atitude precipitadamente pessimista é benéfico e deveríamos sempre estar atentos para isso. Somos os únicos responsáveis por nossa ação e consequente reação, mesmo quando ela é apenas um pensamento ou um intuito! Compartilhar com alguém um trabalho, um acordo é algo muito sério, intrinsecamente coligado com as nossas escolhas, nossas opções e prioridades. Se nosso tempo está escasso e estamos sobrecarregados, reflitamos antes de nos comprometermos; atentemos para o fato de que a outra pessoa está confiando em nós e naturalmente esperando que façamos nossa parte. Estão envolvidos vários fatores: prioridade do tempo, sensatez, maturidade, responsabilidade, respeito a si mesmo e à outra criatura, administração de tempo (quem pode administrar eficazmente sua vida se sequer é capaz de fazer isso com o próprio tempo?!), consideração, ética, comprometimento e muito mais...
... Ainda estou pasma e, assumindo mais ainda, indignada! Não existe nenhum fundamento, nenhuma amparo legal e moral para, mesmo falhando com o compromisso assumido, ainda rotular o outro de “rígido e inflexível”! É óbvio que imprevistos ocorrem e não existe como prevê-los nem os evitar (o próprio nome já assim classifica); eis outra diferença: o que não estava previsto e o que não se avaliou que ocorreria pela não administração do tempo e a compulsividade em querer fazer tudo ao mesmo tempo!
Compromisso é acordo firmado (mesmo que em palavras), é comprometimento, é obrigação (que foi aceita), é um pacto firmado consigo mesmo e/ou com outra(s) pessoa(s). Falhar deliberadamente com ele é, no mínimo, desprezar a própria escolha, desqualificar a(s) pessoa(s) com quem se compactuou, desrespeitar todos os valores envolvidos na situação. E tudo isso somado ao fato de ainda assim ousar adjetivar a outra pessoa de rígida, sinceramente, humanamente impossível de ser aceito! Resumindo, lembremos-nos da citação Crística: “Faça a sua parte que lhe ajudarei”!
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